“A educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda.

Paulo Freire

sábado, 8 de outubro de 2011

LÍNGUA FALADA E LÍNGUA ESCRITA

Toda língua escrita deveria ser apenas a representação gráfica da língua falada, mas não é bem isso que acontece. Podemos dizer, no entanto, que o português é uma das línguas que menos apresentam problemas dessa natureza. Mas, também, o apresenta.
A língua oral utiliza-se de fonemas para a formação do significante, fonema é a menor unidade fonética capaz de produzir significados diferentes.
Um dos problemas que dificulta a vida dos mais distraídos é o caso de letras que representam mais de um som ou vice-versa.
Temos como exemplo o uso da letra X:

examinar (som de zê);
 táxi (som de csi);
asa e exato (som de zê)

A diferença entre a língua falada e a escrita é grande, e se aprofunda mais ainda quando passamos aos estudos de sintaxe e estilística. Podemos dizer que se trata de duas línguas, com duas gramáticas distintas. A da língua escrita é chamada de gramática normativa (padrão culto da língua e considera erro toda transgressão às suas regras)e a de língua oral, gramática natural(estabelece as regras gerais da língua para que qualquer fala seja decodificada).
De acordo com a gramática natural, todos os falantes do português dispõe de uma gramática completa, desde a criança e o analfabeto ( que não fazem as concordâncias corretas e dizem “eu trazi” ou “eu truce”, mas que se fazem entender e entendem as outras pessoas. O que vai diferenciá-los é o grau de cultura ou o seu nível sociocultural.
As diferenças entre a língua falada e a escrita podem ser assim diferenciadas:

LÍNGUA FALADA

·         maior uso de onomatopéias, exclamações e gírias
·         repetição de palavras
·         anacolutos (ruptura na construção da frase)
·         frases inacabadas
·         liberdade de colocação pronominal
·         omissão de preposições
·         supressão de construções sintáticas com o relativo cujo
·         alguns tempos verbais são pouco ou não utilizados, por exemplo, o mais-que-perfeito
·         predomínio da coordenação

LÍNGUA ESCRITA

·         vocabulário mais preciso, termos técnicos
·         vocabulário rico
·         construções sintáticas bem elaboradas
·         frases bem construídas
·         colocação pronominal determinada pela gramática
·         uso correto das preposições
·         emprego de todos os pronomes relativos
·         emprego de todos os tempos verbais
·         emprego da coordenação e da subordinação

A comunicação oral, diferentemente da escrita, pressupõe o contato direto entre os falantes, o que torna mais concreta e econômica (porque os elementos a que se refere estão presentes na situação do diálogo). Existe na língua oral um jogo de cadência e pausas que dá ritmo à fala e auxilia na decodificação da mensagem.
A comunicação escrita não dispõe desse jogo de cadências e pausas que deve ser recriado através da pontuação e dos caracteres gráficos (maiúsculas, negrito, itálico).
Falar é bem mais fácil do que escrever. E somente a distinção entre as duas línguas é que nos faz entender certas construções da linguagem publicitária decalcadas na linguagem falada. Como:
Vem pra Caixa você também” em lugar de “Vem para a Caixa você também”. “Se liga no SBT” em vez de “Ligue-se no SBT”.

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